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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Acontecimentos Políticos Hilariantes VII

Objectivo: Riqueza Solidária???

352983 11109_01Os portugueses e as portuguesas têm que aturar um Governo que infelizmente escolheram, pensando que ele lhes iria resolver os problemas, ao contrário do que sucedia ao Governo do desalmado Sócrates. Porém têm de reconhecer que este Governo ao enredar-se na mentira ideológica começa a ter umas saídas algo hilariantes.

Foi o caso do anuncio das novas medidas fiscais para combater a Crise provocado pela grande especulação e a economia de casino, a mando da famigerada Troika, que nos transformou num protectorado europeu. Depois de espoliar a a classe média dos seus rendimentos por via fiscal envolvendo o 13º mês, aumentado o IVA para o Gás e a electricidade como se não fossem produtos de 1ª necessidade, aumentado os passes sociais, e introduzido medidas assistencialistas para os cidadãos de mais baixos rendimentos, criando cidadãos de primeira e de segunda, o Governo vem agora criar “impostos solidários” para os rendimentos mais altos e para os rendimentos das emMinistro das Finanças02 11109_01presas de mais elevados lucros. E com uma grande ”lata” vem dizer que se trata de uma contribuição solidária para cobrir a política assistencialista do Governo. Não fora a trágica situação em que se encontram os cidadãos e cidadãs deste país por via das suas decisões desmioladas do último acto eleitoral, e tudo isto seria muito hilariante.

Na verdade a tragédia não tem graça nenhuma e compele todos a deixarem-se da ideia triste de que não há saídas, que a política de direita pura e dura é uma inevitável fatalidade, e lutarem sem rebuço pelos seus direitos de cidadania tão miseravelmente espoliados. As medidas para corrigir os desmandos da governação de direita do Partido Socialista passam pelo reforço da cidadania, por obrigar os mais poderosos a respeitarem os direitos dos mais humildes, aumentar a produção, remunerá-la adequadamente, e não criar falsas ideias de solidariedade. Como se sabe há muitas luas, a solidariedade existe sim entre pessoas da mesma condição, e nunca entre os exploradores e os explorados. Os próceres do grande capital financeiro tiveram um comportamento nada solidário quando embarcaram em esquemas de produção financeira de lucros, partindo do principio de que se algo corresse mal, seriam salvos pela espoliação dos mais fracos. O Capitalismo monopolista é célebre em privatizar os lucros e socializar os prejuízos. Estamos a assistir a um processo deslizante, em que o Capitalismo pretende esmagar a Democracia. Uma coisa que os exploradores e os seus lacaios gostam muito pouco de ouvir, mas que nós temos de lhes gritar até lhes estoirar os órgãos de audição.

domingo, 29 de março de 2009

Acontecimentos Políticos Hilariantes (VI)

The Guardian Versus Barclays Bank: a Vitória da Democracia

Cosmosophia Portucalensis, através das Cartas Escocesas (XII), apresentou aqui a decisão dum juiz do Reino Unido em impedir que o Jornal The Guardian apresentasse dados comprometedores do esforço do Banco Barclays em participar na fuga aos impostos em larga escala.

Na passada Quinta-Feira dia 26 de Março, Lord Oakeshott do Partido Liberal-Democrata subiu à tribuna da Câmara dos Lordes para denunciar o facto. Afirmou ele que documentos entregues aos Liberais-Democratas, que parecem mostrar com detalhe fuga aos impostos em larga escala pelo Barclays, foram suspensos preventivamente a semana passada. Ele sentiu-se obrigado a falar ao Parlamento sobre a máquina de fuga aos impostos do Barclays com a sua exploração agressiva de paraísos fiscais, e dizer ao público aonde ele pode vê-los e julgá-los por si próprios. E acrescentou que era um dia triste para a democracia se um juiz decidindo em segredo pode impedir este debate público essencial.

Os Documentos entregues aos Liberais-Democratas parecem mostrar com detalhe fuga sistemática aos impostos em larga escala pelo Barclays, afirmou. Tornaram-se notícia de primeira página em consequência, e estes documentos estão disponíveis na Internet em portais como o Twitter, Wikileaks.org, docstoc.com e gabbr.com.

Esta questão torna-se hilariante, porque depois dum juiz ter dado uma ordem de suspensão ao Guardian de tocar neste assunto e de mostrar os documentos, bastou uma atitude de grande dignidade dum Lorde, que usou a sua imunidade ao abrigo da Lei Bill of Rights de 1689, para o jornal poder voltar a falar dele, não directamente, mas a partir da notícia dum acto dum Lorde. Na verdade o juiz agora não pode voltar a poder escamotear os factos e a favorecer o privado em face do público.

Trata-se obviamente duma derrota dos que pretendem sonegar informação vital à vida democrática, e uma vitória dos que querem o primado do serviço público, e da própria democracia. A instituição Parlamento saiu dignificada. Num caso destes uma boa gargalhada em ambiente de festa não está mal vista.

sábado, 21 de março de 2009

Acontecimentos Políticos Hilariantes (V)

Governo Sócrates: A demagogia tem limites!!!

A decisão do Governo Português de permitir que os detentores de crédito imobiliário, caso tenham entre os seus dependentes desempregados, de deixarem de pagar durante ano e meio metade das suas prestações, constitui uma decisão altamente hilariante, não fora as suas terríveis consequências.

Na verdade a situação económica internacional aponta para um aprofundamento da crise. É claro como a água hoje que as medidas no plano internacional e dentro de cada país não conseguem estancar a deriva para fundo do abismo, que parece inatingível. Se por enquanto ainda se vê actividade económica, tal deve-se a que muitas pessoas ainda trabalham, a maioria, e gastam o pouco que têm, pois não sabem o que os espera no futuro, e se poderão gozar a vida ou não.

A aceleração do processo, para a desgraça total, parece estar escrito no futuro, e o colapso generalizado deve dar-se na próxima rentrée. Como é evidente toda esta perspectiva consumar-se-á porque as altas esferas do capitalismo se recusam a fazer aquilo que já todos perceberam tem de ser feito, porque tais medidas condirão a prazo à descaracterização completa do Sistema: este teria de equacionar que já não era bem a mesma coisa, e transformar-se num sistema de democracia avançada a caminho do Socialismo.

Neste quadro os altos dirigentes fazem múltiplas reuniões, e a vários níveis em que manifestamente não se entendem. E as medidas a cumprir são simples: é preciso pôr dinheiro nos bolsos dos trabalhadores, em vez da estrutura bancária, estancar o desemprego. Mas esta questão tão simples tem implicações estruturais profundas, porque transfere a responsabilidade de salvação da crise para os capitalistas.

Como não se fazem as coisas certas, é de esperar um agravamento das condições de vida dos trabalhadores, uma consequente quebra na produção de bens, o consequente desemprego e a fome generalizada. Pensar que dentro de ano e meio os trabalhadores estarão em melhor situação, e actuar em consequência, é uma brincadeira de mau gosto e só pode provocar esgares. Aqueles que estão hoje desempregados e só na Grã-Bretanha já são 2 milhões, no futuro próximo vão sentir-se ainda mais acompanhados, pois no fim do ano este número vai subir para 3 milhões.

A decisão do Governo Sócrates é altamente lesiva dos interesses dos trabalhadores e muito particular dos que têm de pagar prestações de crédito imobiliário. Como alguém já demonstrou, daqui a ano e meio estas pessoas têm de pagar o que não pagaram, mais os juros do mesmo capital. Se eles já hoje não podem pagar, em condições de vida agravadas como vão então fazê-lo? Em vez de tentar salvar os bancos pagando a estes, por cima dos contribuintes, o valor dos activos tóxicos, aquilo que os devedores não estão em condições de pagar, mas mantendo os devedores essa sua qualidade, os governos desta civilização ocidental mas bem pouco cristã, deveria fazer duas coisas:

  • Pagar as prestações em vez dos devedores que não estivessem em condições de o fazer, ficando estes cada vez mais livres da dívida;
  • Fazer uma reavaliação de todas as dividas, pela sobrevalorização do empréstimos, e o diferencial entre o que as casas valem hoje e a divida que os devedores contrataram, ser imediatamente pago pelos governos, deixando os devedores com mais ar para respirar.

Claro que isto é um outro sistema social. Mas para o atingir é preciso a mobilização dos trabalhadores. A manifestação da CGTP na passada semana com mais mas muito mais de 200 000 manifestantes tem de ser o caminho da mobilização para que estes autores de graças de mau gosto não estejam em condições de as produzir.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Acontecimentos Políticos Hilariantes (IV)

Um Carnaval extremamente hilariante…

Hoje é Quarta-Feira de Cinzas, e os portugueses e portuguesas preparam-se para a penitência dos seus pecados, até à Páscoa. Para trás ficou um dos mais hilariantes Carnavais de todos os tempos, só comparável em dimensão à crise em que estamos mergulhados.

Tudo começou quando o Ministério Público resolveu impedir o Carnaval de Torres Vedras de mostrar o inefável Magalhães, o tal computador que se pretende à viva força que seja português, com umas imagens heterodoxas. Aí o pessoal desatou a rir à gargalhada, pois num país que se pretende na vanguarda da Europa praticou-se um acto digno da Idade Média.

Ainda os portugueses estavam agarrados à barriga a rirem-se sem parar, eis que chega a notícia de que a inefável Margarida, Directora Regional da Educação do Norte tinha imposto à Escola de Paredes de Coura a obrigação de terem de fazer o cortejo carnavalesco contra a opinião do Conselho Pedagógico. Aí os portugueses que estavam em vias de perderem motivos hilariantes, pois o Ministério Público recuara no caso Magalhães, voltaram a agarrar-se à barriga, contorcendo-se sem parar perante mais uma manifestação de prepotência do Ministério. E mais se riram quando a dita senhora, campeã dos actos da Ministra, perante a justa indignação dos professores, que desfilaram de luto, veio declarar que nada lhes tinha imposto, só que o cortejo tinha que se fazer.

O pobre do Zé-Povinho a recuperar, foi mais uma vez desinquietado para se atirar para o chão a rir, quando se soube que um Comissário da Policia em Braga resolveu apreender uma série de livros, concretamente a obra Pornocracia, de Catherine Breillat porque continha a obra prima de Gustave Coubert A criação do Mundo na Capa, na Feira do Livro. A explicação era a de que a dita obra poderia levar ao desvio de menores. Aí o pobre do Zé-Povinho já pedia que o poupassem a tanto dislate porque a barriga já lhe doía com um tão grande fartote de rir, e que só aumentou quando os livros foram entregues à procedência.

Mas o pobre do Zé-Povinho ainda não estava protegido de mais asneirada hilariante. E foi assim que foi confrontado com a sentença que condenou o corruptor do caso BragaParques ao pagamento de 5000 euros, chamando-lhe corrupção activa para acto lícito. Baseou-se o augusto tribunal para pena tão curta no facto de que o criminoso ter subido na vida a pulso, para estar em condições de naturalmente poder afirmar como ele próprio o fez: Nisto não sou virgem (...) Conforme faço uma escriturazinha rapo dois mil euros aqui, 10 mil acolá. (...) Ponho isto num cofre para a gente ir fazendo umas ratices.

O Zé-Povinho pode rir sem fim, mas só pode ter uma enorme dor de barriga em consequência, pois todos estes factos mostram o estado de degradação a que chegou o Estado da Nação. Baseando-se em pressupostos autoritários, as estruturas que deviam aplicar as leis que existem para situações semelhantes, praticam actos à sua margem, e depois seraficamente pretendem dizer que foi tudo um engano. No fim de contas um país em que se acaba de saber que 72 000 (!!!) empresas não têm trabalhadores, e ninguém acha tal facto esquisito, nem digno de inquérito público, alguma coisa vai mal, muito mal.

A burguesia clientelar portuguesa, submissa ao Imperialismo tal como no tempo do Fascismo, não se coíbe de praticar os actos mais levianos na defesa dos seus interesses. Cabe aos trabalhadores não acharem graça nenhuma a tais actos, e imporem as soluções que se exigem.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Acontecimentos Políticos Hilariantes (III)

Professores: a Luta Continua!

O encontro da Plataforma Sindical dos Professores com a Ministra da Educação, e a subsequente declaração desta de que as negociações estão encerradas, permitiu avaliar até aonde chega a irresponsabilidade política do Governo, representado por esta Ministra. Esta promove um conjunto de declarações que sendo hilariantes, não são menos irresponsáveis.

Na verdade a senhora ministra pretende manter um sistema de avaliação totalmente desacreditado, tal o número de erros técnicos que contém, quando com todo o bom senso deveria deixá-lo cair e tomar o projecto de avaliação submetido pelos sindicatos e com o largo apoio dos professores. Na verdade este desiderato é impossível de atingir, pois que o objectivo do Governo não é a melhoria do Sistema de Ensino, como desejam os sindicatos; não é um reforço da cidadania nas escolas, como pretendem os sindicatos; é antes transformar os docentes em comissários políticos do Governo, disponibilizando-se para cumprir todas as orientações por mais ofensivas que sejam da dignidade dos docentes e dos valores da Escola Pública.

Uma Escola Pública mais inclusiva dos cidadãos implica que as escolas têm de funcionar como colectivos empenhados de docentes, com confiança uns nos outros, e as medidas implementadas recentemente em sede de Estatuto da Carreira Docente, e as propostas pelo Governo em sede de avaliação a serem levadas às suas últimas consequências levariam a que esta avaliação nada tivesse a ver com a escola aonde os docentes se inserem, e a implementação desta no meio social adjacente mais ou menos problemático, mas com certeza diferente daquele que se desejaria para o regular funcionamento da Escola Pública.

Depois das afirmações hilariantes do Governo sobre o primado da aplicação das decisões políticas ao arrepio da sua qualidade técnica, e das implicações previsíveis num tecido tão fino como é o Sistema Educativo e o seu meio envolvente, só poderemos esperar o pior para o futuro. Realmente esta afirmação de que o Governo porque tem poder para isso vai aplicar medidas com erros técnicos crassos, não lembra ao diabo neste i

nício do Século XXI, e só um dinossáurio como o Dr. Mário Soares pode ver virtudes em tal actuação. E são particularmente graves as afirmações do Ministério na análise do documento de avaliação entregue pela Plataforma, que não abona nada de bom ao valor intelectual deste Ministério, pois que o documento entregue pelos Sindicatos é um documento de grande qualidade, que urge implementar o mais rapidamente possível.

Mas isto também significa que o que é importante para o Ministério, não sendo capaz de tornar os professores comissários políticos acéfalos, é partir a espinha à acção profissional colectiva dos professores, e deixá-los atomizados e incapazes de fazer o que quer que seja, à espera de serem declarados incompetentes, e em consequência vejam os seus salários a diminuir sempre. Assim se corta nos orçamentos da Educação. No fim de contas, apesar do colapso financeiro do sistema capitalista, o neo-liberalismo está moribundo, mas ainda não morreu e ainda mexe, e disso se têm de lembrar os professores. É por isso a luta tem de continuar com a mesma determinação até aqui demonstrada, e as organizações sindicais têm de estar à altura deste importante momento histórico, conduzindo a luta com determinação até à vitória final.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Acontecimentos Políticos Hilariantes (II)

Partido Comunista Português: Partido Neo- Estalinista?

O posicionamento político singular do Partido Comunista Português corre o risco de fazer ainda correr muitos litros de tinta na nossa comunicação social. Espera-se até que essas importantes contribuições traduzam a profunda frustração dos articulistas pelo facto de mais uma vez o PCP se recusar a participar numa operação de refundação do Capitalismo, e de branqueamento dos crimes  por este cometidos, entendidos como os pressupostos que estiveram na origem do colapso financeiro do Sistema, e que já levou ou vai levar a prazo à miséria largos milhões de trabalhadores.

Como expressão destas frustrações está o artigo de São José Almeida no Público neste Sábado, dia 6 de Dezembro, intitulado Parabéns, dr. Álvaro Cunhal, aonde a articulista afirma que o PCP é um Partido neo-estalinista. Estas afirmações de carácter hilariante ainda vão dar muito que falar. E porquê tal afirmação? Porque o PCP no seu XVIII Congresso:

·         Denunciou, demonstrando como a politica de Mikhail Gorbachev enquanto Secretário-Geral do PCUS foi uma politica de traição aos interesses dos povos da União Soviética em particular e do Mundo em geral. Esta afirmação do PCP só pode ser estranha para quem não conhece as declarações do próprio Gorbachev, que já declarou preto no branco que esse era o seu objectivo quando assumiu o lugar de Secretário-Geral. Ou seja o homem estava mesmo decidido a aldrabar-nos a todos e completamente, e colocar-se ao serviço do Imperialismo.

·         Assumiu claramente o seu papel de vanguarda de partido da classe operária e de todos os trabalhadores, defendendo que não há melhoria das condições destes se não houver políticas que claramente espelhem essa vontade dos trabalhadores de melhorarem as condições de vida. E que assim o PCP se recusará a fazer alianças com quem não disponível para atingir este desiderato, e a lançar para debaixo do tapete anos a fio de política de Direita.

Esta segunda questão traduz o horror dos nossos políticos visceralmente burgueses em assumir que quando nas várias instâncias de organização politica dizem estar a defender os trabalhadores, têm de ter em conta as suas aspirações e objectivos, e actuar enquanto tal; pois embora se declarem ao serviço dos trabalhadores, na verdade estão tão só a procurar rebaixar os interesses dos trabalhadores a níveis que não ponham em causa a estrutura sacrossanta do Capitalismo. E para eles surge esta realidade insofismável: o PCP não tripudia sobre os interesses dos trabalhadores para obter benefícios para os seus dirigentes, cumpre as suas aspirações mais profundas, e vai mais longe, procura que essas aspirações assumam a suprema dignidade de serviço público.

Mas o que São José Almeida talvez não saiba ou não esteja interessada em saber, é que este neo espírito do PCP já vem de longe. Está inscrito no pensamento de Marx, Engels e Lenine; foi amplamente praticado pelos camaradas da III Internacional, da qual somos orgulhosos sucessores; e duma maneira ou de outra acompanhou-nos sempre durante todo o Século XX, na vitória na Batalha de Berlim, esmagando definitivamente o Nazi-Fascismo, na vitória na luta anti-colonial, na vitoria na Guerra do Vietname, e outras manifestações, mau grado os trânsfugas como Mikhail Gorbachev que hoje vêm comer os sobejos do banquete Imperialista à mão dos seus donos.

O PCP não tem medo de labéus. Porque o que contará no futuro é dar satisfação às aspirações dos trabalhadores, e cumprir o destino histórico da Classe Operária, visto ela existir, embora às vezes tenha alguma dificuldade de se assumir como tal.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Acontecimentos Políticos Hilariantes (I)

Colapso apocalíptico
E o Ministro afirmou: "Creio que há um ano todos esperávamos que esta situação e a incerteza que daí decorria se pudesse desvanecer mais rapidamente. "E mais adiante: "De facto, isto [a crise dos mercados financeiros] está a ter uma duração que está a surpreender todos." Todas estas sábias palavras do ministro Teixeira dos Santos obrigaram a que criássemos rapidamente esta secção para declarações politicas hilariantes. E quando um politico as produz, trata-se de um acto irresponsável visando enganar o próximo, que não é de todo admissível.
O sucessivo colapso das estruturas bancárias e doutras companhias configura já uma implosão do sistema capitalista sem paralelo na História. O Apocalipse materializou-se. Os custos da ganância são enormes. A previsão obriga à injecção no futuro próximo de para já 350 mil milhões de dólares no subsistema financeiro, uma previsão por baixo, sem considerar as últimas declarações de falências, pois só na AIG o governo de Bush vai injectar 40 mil milhões de dólares. O custo global, em todos os subsistemas, não vai ser inferior a um bilião de dólares. A crise está para ficar, pois sendo global, atinge todo o Sistema, mas mais aqueles países, como a Grã-Bretanha, que sempre mais se reverenciaram frente ao Imperialismo dos USA.
O governo de José Sócrates encontra-se no meio duma catástrofe sem precedentes, e está na pior situação possível porque impôs medidas gravosas ao povo português um ataque sistemático aos direitos dos trabalhadores, o que nalguns casos incluiu violentar a sua dignidade profissional, pensando que o futuro era neo-liberal, e que este crime ia ficar impune. Numa altura em que mesmo dentro do Sistema as vozes são para a sua racionalização, o governo de Sócrates está num limbo, pois tal racionalização tem de ser feita com a compreensão dos trabalhadores, e não ao seu arrepio. E haverá algum trabalhador que lhes conceda esse mandato, depois de todas as agressões e de todos os actos malignos, programados e executados por este Governo?
Daí que o ministro Teixeira dos Santos venha a público com brincadeiras de mau gosto pensando que os portugueses e as portuguesas ou são idiotas ou andam a olhar para os abismos. Tais chalaças dariam vontade de rir à gargalhada, não fora a desgraça que assalta os cidadãos e que nem dá para chorar, pois os nossos olhos estão secos e os nossos punhos cerrados para manifestar a nossa fúria. Todos sentem na pele a submissão ao grande patronato, e por isso só podem exigir que o que quer que suceda a esta desgraça, só pode melhorar a sua situação. É necessário uma outra política virada para a melhoria das condições de vida dos cidadãos, e da promoção da cidadania, aonde os seus agentes tratem os cidadãos como pessoas de corpo inteiro, e não como alguém que pode ser enganado de qualquer maneira, pois situações como as que estamos a viver não podem voltar a acontecer. E tal só será conseguido se as reformas que a situação exige forem conduzidas, controladas e executadas pelos trabalhadores e por quem efectivamente os represente, para a satisfação dos seus interesses, sem qualquer ligação umbilical, ou de qualquer outro tipo, aos interesses exploradores. A este tema voltaremos.